A campanha de Eduardo Braide começa a enfrentar um problema que pode ser maior do que parece: a disputa pelo Senado dentro do próprio grupo político.

De um lado está Lahesio Bonfim, nome que chegou à aliança carregando uma identidade política própria e uma forte ligação com o eleitorado bolsonarista. Do outro, André Fufuca, que aparece cada vez mais integrado à estrutura política do grupo.

É justamente aí que começam as reclamações.

Nos bastidores e entre aliados de Lahesio, cresce a percepção de que o candidato estaria recebendo um tratamento diferente dentro da própria campanha. A principal acusação é de que a estrutura mobilizada para as agendas de Braide estaria dando espaço privilegiado a Fufuca, enquanto Lahesio teria sido deixado em segundo plano.

Na Região Tocantina, precisamente em Imperatriz, o clima teria ficado especialmente ruim.

Uma das queixas que circulam é de que, em caminhadas e carreatas, a presença de Fufuca estaria sendo muito mais valorizada, inclusive na trilha sonora e na divulgação das atividades. Lahesio, segundo relatos de aliados, teria chegado a deixar duas carreatas diante desse ambiente.

A situação ganha ainda mais peso porque Lahesio já teria manifestado publicamente seu incômodo com a forma como vem sendo tratado dentro da aliança.

E aqui aparece outro personagem importante nessa história: o prefeito de Imperatriz, Rildo Amaral.

Aliados de Lahesio enxergam na atuação de Rildo uma tentativa de fortalecer Fufuca na disputa pelo Senado. A leitura desse grupo é que Rildo estaria apostando todas as fichas na eleição de Fufuca, após ter perdido os nomes da esposa e do irmão na disputa, como forma de preservar seu espaço político na Região Tocantina.

Existe ainda uma questão mais delicada: a identidade política de Lahesio.

Ele construiu sua trajetória recente com uma forte identificação com o bolsonarismo. Já Braide vem tentando se manter em cima de muro com relação à eleição presidencial, mesmo com os bastidores sabendo que o ex-prefeito de São Luís é bolsonarista de carteirinha.

O resultado é uma situação curiosa: dois candidatos ao Senado pertencem ao mesmo grupo, mas começam a ser vistos como protagonistas de uma disputa interna.

A pergunta que fica para o grupo de Braide é simples: há espaço realmente igual para os dois candidatos ou a campanha já escolheu seu favorito?