
O resultado das eleições de 2026 representa mais do que uma derrota eleitoral para Felipe Camarão (PT). Com menos de 10% dos votos, o petista teve o pior desempenho entre os candidatos a governador apoiados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Nordeste e simboliza o encerramento de um ciclo político que começou no Maranhão há 12 anos: a chamada Era Dino.
Iniciado com a vitória de Flávio Dino para o Governo do Maranhão, em 2014, o grupo político construiu uma das maiores forças eleitorais do estado. Ao longo dos anos, chegou a reunir a maioria dos prefeitos maranhenses, uma ampla bancada na Assembleia Legislativa e representação expressiva na Câmara dos Deputados e no Senado.
Mesmo depois do rompimento político com Flávio Dino e seus aliados mais próximos, o governo Carlos Brandão ainda representava, institucionalmente, uma continuidade da administração iniciada em janeiro de 2015. Brandão havia sido eleito vice-governador na chapa de Dino em 2014, repetiu a dobradinha em 2018 e assumiu definitivamente o Palácio dos Leões em 2022.
A eleição de 2026, entretanto, muda completamente esse cenário.
Felipe Camarão entrou na disputa pelo Governo do Maranhão como o principal representante eleitoral do campo político ligado a Flávio Dino e contou com o apoio de Lula. O resultado abaixo dos dois dígitos, porém, evidenciou a perda de força de um grupo que, poucos anos antes, controlava importantes espaços da política estadual.
Embora parte da estrutura política construída ao longo desse período ainda sobreviva por meio de prefeitos, deputados e lideranças regionais, o núcleo considerado mais fiel ao chamado “dinismo” ficou drasticamente reduzido.
Entre os nomes identificados com esse grupo que conseguiram permanecer com mandato estão Márcio Jerry (PCdoB), reeleito deputado federal, e Leandro Bello (PSB), eleito deputado estadual. Rubens Júnior, apesar de também ter integrado durante anos o núcleo político de Dino, passou a enfrentar desconfiança entre antigos aliados depois de declarar apoio a Eduardo Braide na disputa pelo Governo do Maranhão.
O contraste com o passado recente é significativo.
Othelino Neto, Carlos Lula, Rodrigo Lago, Bira do Pindaré, Felipe Camarão e Eliziane Gama, nomes que em diferentes momentos ocuparam posições de destaque dentro da estrutura política construída a partir de 2014, terminaram a eleição de 2026 sem mandato eletivo.
A derrota de Camarão, portanto, ganha uma dimensão que ultrapassa sua candidatura individual. Ela representa o encerramento eleitoral de um ciclo iniciado com a histórica vitória de Flávio Dino sobre o grupo Sarney em 2014.
Doze anos depois, o cenário político maranhense foi novamente redesenhado pelas urnas. Se em 2014 a eleição marcou o começo da Era Dino, 2026 entra para a história política do Maranhão como o ano em que esse ciclo chegou ao fim.
