Ex-prefeito de São Luís teme ser questionado por Roberto Rocha sobre quantos porta-malas pagou para tentar tirar o rival do PRTB da disputa

Considerado um dos principais destaques nos debates eleitorais das disputas municipais de 2016, 2020 e 2024, Eduardo Braide adotou uma postura bem diferente em 2026. Neste domingo, 9 de agosto, o prefeito de São Luís ficará de fora do debate promovido pela TV Band com os candidatos ao Governo do Maranhão, previsto para começar às 20h.
A ausência chama ainda mais atenção porque representantes de Braide chegaram a participar das tratativas para conhecer as regras e a estrutura preparada pela emissora. Apesar disso, o candidato não havia confirmado nem recusado oficialmente sua participação. Neste domingo, Braide afirmou que pretende participar apenas do debate da TV Globo, sob a justificativa de que seria aquele de maior audiência.
A declaração inevitavelmente abre espaço para críticas de que o prefeito estaria menosprezando os debates realizados pelas demais emissoras. Afinal, encontros promovidos por diferentes veículos fazem parte do processo eleitoral e oferecem aos eleitores a oportunidade de comparar propostas, ouvir questionamentos e acompanhar o confronto direto entre aqueles que pretendem comandar o Maranhão.
A postura atual contrasta principalmente com o comportamento adotado pelo próprio Eduardo Braide no início de sua trajetória nas grandes disputas eleitorais. Em 2016, quando concorreu à Prefeitura de São Luís, Braide travou uma verdadeira batalha para participar dos debates e chegou a ameaçar recorrer à Justiça para garantir espaço nos encontros entre os candidatos.
Dez anos depois, o cenário se inverte. Se antes Braide reivindicava o direito de participar e confrontar seus adversários, agora, ocupando posição de protagonismo na corrida estadual, opta por não comparecer ao primeiro grande confronto televisionado da eleição.
A ausência também evita um embate direto com Orleans Brandão, seu principal adversário na disputa pelo Palácio dos Leões. Orleans estará no debate e terá a oportunidade de apresentar suas propostas e responder aos questionamentos sem o confronto direto com Braide.
Politicamente, a estratégia de Braide pode ter relação com a conhecida lógica de preservação de candidatos que aparecem em posição confortável nas pesquisas: quem está na frente tende a ter mais a perder em confrontos diretos. Por outro lado, adversários certamente explorarão sua ausência para levantar questionamentos sobre a disposição do prefeito de responder por sua gestão e confrontar críticas.
Esse aspecto ganha relevância à medida que a administração municipal passa a enfrentar maior escrutínio no ambiente eleitoral. Afirmar que esse é o motivo da ausência de Braide, entretanto, exigiria uma declaração do próprio candidato ou de sua campanha.
O episódio deixa uma contradição política evidente: o Eduardo Braide que em 2016 brigava para entrar nos debates agora escolhe de qual debate deseja participar.
E justamente quando Orleans Brandão tenta reduzir a distância e transformar a eleição em um confronto direto entre os dois principais nomes da disputa, Braide prefere não estar frente a frente com o adversário na noite deste domingo.
A cadeira vazia, portanto, também poderá se transformar em elemento político do debate. E a pergunta que seus adversários provavelmente tentarão colocar no centro da discussão é justamente aquela que Braide terá de responder fora dos estúdios da Band: por que aquele que um dia brigou para participar de debates agora decidiu não comparecer?