Nesse período, ao comparar a previsão de receita da Coliseu com outros setores da administração municipal, percebemos a disparidade.


A Companhia de Limpeza e Serviços Urbanos de São Luís (Coliseu), que oficialmente encontra-se extinta e em processo de liquidação, continua onerando os cofres públicos da Prefeitura de São Luís como se ainda estivesse em funcionamento na capital maranhense. Conforme apurado pelo blog de Davi Max, o ex-prefeito Eduardo Braide (PSD) desembolsou, entre 2021 e 2024, até 31 de março de 2026, a quantia de R$ 132,4 milhões para a folha de pagamento da Coliseu, uma entidade que não opera há cerca de vinte anos.

Os dados são do Portal da Transparência da administração ludovicense, sistema que tem por finalidade veicular a execução financeira, que é diariamente atualizado pela equipe técnica. Não é de hoje que a rubrica responsável por custear os gastos na Coliseu coloca no lixo muitas irregularidades cometidas ao longo de sua existência, mas que, por determinação legal, continua onerando o Tesouro Municipal.

A companhia foi extinta por Decreto, em 2007, na gestão do ex-prefeito Tadeu Palácio, mas continuou a sangrar os cofres públicos. Tinha um enorme déficit atuarial – o popular rombo – quando foi liquidada. De acordo com as informações, mesmo em processo de liquidação há 19 anos, a empresa pública ainda ostenta uma folha de pagamento que consome quase R$ 1,1 milhão mensais do erário, ou seja, o equivalente a R$ 13,7 milhões por ano.

Um levantamento realizado com base em peças orçamentarias revelou que, entre 2021 a 2026, foram mais de R$ 132,4 milhões gastos com a companhia. O quadro da empresa conta com 500 funcionários que possuem vínculo pela CLT, mas grande parte deles está cedida para órgãos e secretarias.

“Rainha da corrupção”

Como acionista majoritária, a prefeitura da capital deve prestar contas das gestões que endividaram a companhia em mais de R$ 140 milhões e a levaram à bancarrota. Com esse objetivo, em legislaturas passadas, o ex-vereador Estevão Aragão (PSB), chegou a requerer a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara para investigar as diversas irregularidades administrativas que chegaram a ser apontadas pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) e pelo Ministério Público (MP), mas o pedido não avançou.

Na época, o então vereador Francisco Chaguinhas (Podemos), que chegou a apoiar a proposta da CPI para investigar a falência da Coliseu, disse que a companhia foi ao longo de várias administrações municipais, a “rainha da corrupção”. Se fosse instalada, a CPI da Coliseu poderia apurar um ‘rosário de irregularidades’, como a venda ilegal de caminhões da companhia, sonegação fiscal, pagamentos irregulares, gastos sem licitação e aluguéis de veículos de propriedade de ex-presidentes.

Braide eleva verbas da Coliseu

Apesar do histórico de irregularidades na Coliseu, o orçamento para custear a autarquia na gestão do ex-prefeito Eduardo Braide chegou a superar os da cultura, esporte e meio ambiente.

Em 2021, quando Braide assumiu a administração municipal, a empresa tinha uma verba orçamentária de R$ 10.187.707,78. Em 2022, os custos aumentaram para R$ 12.948.517,00, pulando para R$ 13.754.757,16, em 2023. A soma dos três anos é de R$ 36.890.981,94.

Comparação com outras áreas

Nesse período, ao comparar a previsão de receita da Coliseu com outros setores da administração municipal, percebemos a disparidade. A companhia dispunha de R$ 13.754.757,16 para cobrir despesas em alguns anos, enquanto a Secretaria Municipal de Desporto e Lazer (Semdel) tinha apenas R$ 7.882.502,06. Já a Secretaria Municipal de Turismo (Semtur) recebeu R$ 4.380.858,93, e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semmam) contou com R$ 3.119.798,90.

Histórico e decadência

Criada em julho de 1975, a Coliseu iniciou sua derrocada em 1985, quando a Prefeitura comprou uma série de caminhões e equipamentos que, mais tarde, revelaram-se inúteis para a atividade da companhia. Em decorrência, a companhia contraiu uma dívida impagável com o antigo Consórcio Nacional Garavelo.

A empresa durante anos foi a responsável pela limpeza pública de São Luís. Deixou de ser a única na função em 2007, quando a gestão municipal começou a terceirizar os serviços de limpeza pública.

Orçamento em números durante a gestão de Braide entre 2021 a 2026

Ano/Valor

2026: R$ 13.514.300,94

2025: R$ 13.323.477,02

2024: R$ 11.300.233,28

2023: R$ 13.754.757,16

2022: R$ 12.948.517,00

2021: R$ 10.187.707,78

2020: R$ 19.570.210,99

2019: R$ 15.210.651,89

2018: R$ 15.287.310,43

2017: R$ 7.339.111,21

Total: R$ 132.436.277,71